A nona porta do corpo !
«(...) Vincent olha para Julie e, de súbito, ei-lo enfeitiçado: a luz branca conferiu à rapariga a beleza de uma fada, uma beleza que o surpreende, beleza nova que de início ele não vira nela, beleza fina, frágil, casta, inacessível. E, de repente, sem saber sequer como foi que a coisa aconteceu, põe-se a imaginar-lhe o olho do cu. Bruscamente, inopinadamente, a imagem ali está e ele já não pode afastá-la de novo.
(...) Vincent enlaça Julie, beija-a, apalpa-lhe os seios, contempla a sua delicada beleza de fada e, entretanto, sem parar, imagina-lhe o olho do cu. Está com uma vontade imensa de lhe dizer: «Estou a fazer-te festas nos seios mas só penso no teu olho do cu.» Mas não consegue, a frase não lhe sai da boca para fora. Quanto mais pensa no olho do cu dela, mais Julie se torna branca, transparente e angélica, de tal maneira que se transforma numa impossibilidade proferir semelhantes palavras em voz alta.

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